quarta-feira, 15 de setembro de 2010


Grandeza

e como não bastava, a unica coisa que restou foi a lembraça do seu sorriso irônico sumindo pela fumaça, apenas virou as costas, e sem nenhum adeus, ele foi embora ... não se via mais a sombra, somente rachaduras em seu coração. Ela levantou a cabeça, e não pensou em mais nada. Não tinha nenhuma vontade de saber como iria seguir sua vida a partir dali.
Finalmente os planos foram rasgados, e queimados com um típico isqueiro americano, ela estava vivendo apenas o presente, sem sombra do passado, sem previsões do futuro.
A única companhia que lhe cabia perfeitamente para o momento era o silêncio, abria-lhe o caminho para novas oportunidades e viagens em sua mente. Quem a via só a julgava, não tinham interesse de estender a mão para uma ajuda, nem mesmo um pensamento bom sobre aquela figura de estado repugnante, mas isso não lhe expôs para baixo. Ocorreu então um estado de nostalgia, mas ela sabia que não era exatamente aquilo. Há quinze anos, quando pensava que não tinha vida, era ela o réu. Os julgava como ninguém, e sorria da situação. Hoje ela era a vítima. E o que lhe restou foram um maço de cigarro pela metade, e algumas moedas espalhadas pelos bolsos.
- Não está tudo perdido garota. Então uma mão lhe estendia.
Não era exatamente tudo que esperava. Correr não seria a melhor solução.
Só atirou moedas ao pequeno lago, e mais uma vez, sua vida era uma aposta. Apenas saiu andando em passos longos. Surgiu-lhe um sorriso amarelo no rosto. Ela estava indo embora. Acendendo um cigarro, e ouvindo a velha musica no radio de pilha de um sujeito passante. Aquilo sim, era felicidade. Sem nós dois, sem você, sem mim. Apenas, a felicidade.

Há pequenas coisas que se tornam grandes. Há grandes coisas que se tornam pequenas. O mundo se move a partir de você. O seu mundo.

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